Afinal de contas, o que quer uma mulher?
by Jorge Alberto • 27/12/2007 • amor, Literatura, Livros, Mercado Editorial, Romance • 7 Comments

Romance! Sim, isso mesmo. Freud fez essa pergunta e não deixou resposta. Agora a resposta foi descoberta. O que quer uma mulher é um fato comprovado pela literatura e pela evolução da espécie humana.
Pela literatura pelo fato de as publicações que são classificadas como romances açucarados ou cor de rosa são aqueles que mais vendem no mercado editorial brasileiro como um todo. Séries como Sabrina e Jéssica, cada uma de uma editora especializada no assunto, têm números assombrosos para mostrar. E esses números são resultado de um componente fundamental para o ser humano, principalmente as fêmeas de espécie, isto é, o desejo de um final feliz.
Esse final feliz é comprovado pela evolução da espécie, que não sei se o Darwin percebeu. Mas, até aí tudo bem, pois os antropólogos e psicólogos têm muito a dizer a respeito como, por exemplo, dentre as várias fantasias sexuais identificadas, cerca de 80, a que mais toca a alma feminina é o desejo de casar, e isso desde os tempos dos romances medievais de cavalaria povoa o inconsciente coletivo feminino. Todas querem ser salvas do dragão por um príncipe montado num cavalo branco.
Para nós, homens, o sexo é importante. Para elas, mulheres, também é mas tem que ter romance. E é aí que entra a antropologia para explicar que desde os tempos das cavernas e a divisão das tarefas, que nós somos disseminadores de sêmen e elas as que deviam gerar a descendência. Porém, um fato ficava martelando a cabeça das trogloditas além da celebre cacetada, aquela prova de amor que todo troglodita dava na cabeça de sua escolhida e a arrastava para dentro da caverna (isso é coisa do cinema, ok?). É o seguinte: A mulher sempre teve muito mais afazeres e preocupações com a prole do que o homem. Numa situação em que o sexo era, digamos, nômade a mulher ficava com uma carga a mais caso engravidasse. Teria filhos e deveria cuidar deles até que estivessem aptos a se defenderem dos predadores. Portanto, a ideia de ter um companheiro permanente, mesmo que ainda não possa ser classificado como amor, era uma forma de garantir a sua sobrevivência como também da prole.
Em termos de formação de leitores, esse tipo de literatura pode não ser uma garantia de porta de entrada para o mundo da leitura em geral. Não é pelo fato de gostar de ler esse tipo de livro que as leitoras sairão em busca de livros mais substanciais. E essa fórmula de romance vem desde o século XIX; e apenas muda o contexto e o nome dos personagens tendo no enredo basicamente os mesmos componentes: homem e mulher se apaixonam, passam por diversos percalços e no final conseguem a plenitude do amor.
Também é fato que o gosto por determinado tipo de literatura tem relação com a formação cultural das pessoas. Você lê aquilo que está mais próximo do seu modo de viver e encarar o mundo. Os seus referenciais te levam a este ou aquele tipo de leitura.
Números sobre o tema:
Editoras: 2
Nova Cultural (Editora Abril) e Harlequin Books Brasil (Editora Record)
Títulos/Séries – Nova Cultural
Sabrina (1978) – Líder do mercado
Julia Históricos, Julia Mulheres Modernas, Sabrina Sensual, Bianca, Clássicos Históricos, Clássicos Históricos Especial e BestSeller.
Títulos publicados anualmente: 400
Vendas
Sabrina: Em média 40 mil exemplares/mês
Todas as séries juntas: Em média 170 mil exemplares/mês ou 2 milhões exemplares/ano
Preço em Reais
Varia de R$ 5,90 (Sabrina) a R$ 12,00 (BestSeller)
Público: 99% mulheres
Faixa etária: 40% entre 20 e 29 anos e 33% na faixa dos 30 aos 39 anos.
Atividade econômica: 70% trabalham fora, 19% são donas-de-casa e 10% são estudantes
Escolaridade: 43% completaram o ensino médio e 28% têm curso superior completo.
Classe Social
Classe A – 9%
Classe B – 42%
Classe C – 33%
Classe D – 15%
Títulos comprados por mês: 3 em média
Harlequin Books Brasil
Títulos/Séries – Harlequin Books Brasil
Jéssica, Paixão, Desejo, Grandes Romances, Grandes Romances Históricos e Harlequin Romances
Tiragem média: 12 mil exemplares/mês
Preço em Reais
Varia entre R$ 7,50 e R$ 10,90
Público: Feminino
Faixa Etária: 26 a 50 anos
Situação econômica: 66% exercem alguma atividade profissional
Títulos comprados por mês: 3 em média
Bibliografia
Com açúcar e com afeto
In: Panorama Editorial – CBL (Câmara Brasileira do Livro)

Obrigada por sua visita ao Espartilho e pelos seus comentários. Procurava uma imagem sensual de mulher e ser morena é um atributo que considero adicional. Ainbda não tinha visitado seu blog e esse post sobre romantismo tem tudo a ver com o Espartilho tbm. Virei aqui com mais freqüência. Abraço e volte sempre.
Querido Jorge, falar de mulher é meu lema, vivo uma delas. Garanto que o princípio do teu artigo fáz sentido, toda mulher quer casar sim, mas quanto ao aspecto romance, garanto que o homem também quer, tb sente o desejo de ter uma mulher frágil ao seu lado que ele possa provar que é forte, a ponto de matar o dragão, e se a mulher se mantém romântica, isso é necessário, garanto, devido a uma desumanização imposta pela atual sociedade capitalista, digo até, que as mulheres serão as salvadoras desse mundo frio. Por isso deixe-mo-lás governar.
Muito bacana sua observação. Dê uma olhada no post abaixo. http://recantodaspalavras.wordpress.com/2007/03/08/mulher/
Querido Jorge!
Adorei esse artigo, e concordo plenamente somos movidas por romances em nossos relacionamentos e eu sou uma delas…rsrs
beijosssssss mil no seu coração!
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Ótimo enfoque, instrutivo e esclarecedor. Parabens!
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