• Trabalhar em editora: precisa ler?

    by  • 13/03/2010 • Artigos, Autor, Bibliotecas, Cadernos Literários, Comportamento, Comunicação, Cultura, Economia, Editor, Editora, Escritores, Imprensa, Jornalismo, Leitor, Língua Portuguesa, Literatura, Literatura Brasileira, Livraria, Livro Infantil, Livros, Mercado Editorial, Opinião, Suplementos Literários • 10 Comments

    Apenas algumas poucas e esparsas reflexões sobre o que é trabalhar em uma editora.

    Muita gente pensa que trabalhar em editora é uma das profissões mais belas do mundo. Até pode ser,  já que você está lidando com cultura e  divulgação da mesma através de uma das formas mais antigas, se não a mais antiga do mundo: caracteres impressos sobre uma superfície. A superfície não precisa ser necessariamente papel, pois a primeira prova da existência da escrita remonta a 4500 a.C., o que demonstra que a ideia não é nova.

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    Alberto Ruggieri © Illustration Works/Corbis

    Hoje, nem mesmo o papel tem a garantia de ser a forma definitiva como nos últimos 6 mil anos, isso quando me refiro aos primeiros papiros vindo até aos últimos best-sellers da semana. A forma eletrônica vem gradativamente ocupando espaço e se tornando quase que o meio definitivo de divulgação cultural.

    Mas, na verdade, o que você espera quando resolve montar uma editora? Faça a si próprio algumas perguntas e as responda. É tudo isso e mais um pouco. Lógico que todos nós pretendemos ganhar dinheiro e, quiçá, ficar ricos com alguma atividade, que bem se diga, lícita. Realmente há muito glamour ligado ao mercado editorial. Entretanto, o que se vê nos jornais, revistas e mídia em geral quando, por exemplo, de um lançamento de livro é apenas a ponta do iceberg. Até que aquele livro esteja pronto para ser lido, uma verdadeira linha de produção está por trás. Desde as reuniões para a escolha de uma capa que seja, não apenas representativa do conteúdo do livro, que seja compatível com o padrão editorial da editora e seja uma parte de sua identidade visual, podendo, assim, de alguma forma, ser identificada no verdadeiro mar que são as bancadas e prateleiras das livrarias e mostrar ao leitor que aquele livro é da editora tal e, certamente, a qualidade esta assegurada.

    Da maior importância é o bom uso do vernáculo pátrio. Por isso que as traduções são tão rigorosas que, em alguns casos, como na poesia, é preferível que um falante nativo do idioma original traduza para a última flor do Lácio.

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    Alberto Ruggieri © Images.com/Corbis

    Até aí tudo bem, o processo é esse mesmo, indo até a adequação do texto ao segmento do mercado em que se pretende inserir o livro e, se os deuses assim permitirem, vender razoavelmente bem.

    Quase todos os dias são recebidos originais, sinopses, indicações; além de se fazer necessária uma constante pesquisa para se descobrir um livro e um autor. É, como poderia dizer, um trabalho de formiguinha tão estressante e cansativo mentalmente quanto carregar pedras. Muitas vezes o editor (Publisher) se assemelha a Sísifo.

    O departamento comercial de uma editora também não está longe disso. É preciso ser agressivo comercialmente, mas sem deixar que a pressão do alcance dos objetivos (vender e, se possível, muito) ultrapasse o limite da sociabilidade. No grito ninguém ganha nada. No máximo, tal como os camelôs, anuncia o produto.

    Em linhas gerais, é preciso uma perfeita parceria entre o editorial e o comercial para que, ao menos, as coisas fluam. A famosa troca de figurinhas tem que ser constante, mas sem formalidades exageradas. Bem, isso vai depender do tamanho da editora. Em editora pequena, vira-se para o lado e pergunta-se ao editor: “Aquele livro está em qual fase de revisão? Temos previsão de quando poderemos colocar à venda?”, ou “O que você acha de criarmos uma ação de marketing com as livrarias para este livro? Acho que dá para fazer isso, isso e mais isso”, diria o editor.

    O mais importante é perseverar mesmo e não apenas acreditar no produto. Afinal, em tese, todo livro é um best-seller, mas só o será se for vendido em várias edições.

    E, já que começamos falando em um certo romantismo numa das áreas mais profissionais da economia, podemos ler vários livros de grátis, mas não se iluda: esse tipo de leitura não é apenas prazer, mas parte fundamental do trabalho.

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    10 Responses to Trabalhar em editora: precisa ler?

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    3. beatriz
      20/02/2011 at 22:46

      oi eu estou querendo saber mais da carreira de editora , voce poderia falar um pouco mais ? Jornal_MC@hotmail.com

    4. 20/02/2011 at 23:37

      Oi, Beatriz!

      Você está querendo maiores informações sobre a profissão de editora, a pessoa que escolhe e edita livros ou seria sobre o funcionamento de uma editora?

    5. Shirlei
      01/03/2011 at 15:33

      Olá Jorge, td bem? eu gostaria de saber se existe algum tipo de trabalho para ler livros… :-) e se sim, como faço e o que preciso e onde me candidato… Obrigada!

    6. 01/03/2011 at 18:22

      Oi, Shirlei!

      Sim, pode haver um tipo de atividade como essa. Digamos que esteja próximo de um parecerista. Alguém que dá um parecer sobre determinada obra, informando se vale a pena ou não editar, entre outras coisas. O trabalho de um editor também é ler livros. Creio que você já esteja cursando alguma faculdade (comunicação?) e isso ajuda bastante. Há cursos na FGV e Universidade do Livro que podem ajudar bastante.

      Um grande abraço.

    7. Everton Roberto
      06/10/2011 at 12:20

      Caro, Jorge Alberto, boa tarde!

      Faço o curso de Pedagogia e tenho grande amor por educação e tecnologia. Achei seu blog por acaso e vem de acordo como o que venho pensando em atuar: uma editora.

      Por exemplo, eu tenho grande facilidade na parte de tecnologia, pois como tenho o técnico de informática e sempre busquei estudar, aprendi a elaborar sites, usar programas de desenho e outros. Em que área de uma editora eu poderia atuar? Na sua opinião, qual o tipo de profissional que as editoras mais procuram? O meu perfil de informática com a formação de Pedagogo seria interessante pra alguma editora?

      Abraços e parabéns pelo blog.

    8. 06/10/2011 at 19:59

      Everton, antes de tudo parabéns pela escolha profissional. Trabalhar com Educação e para a Educação é algo muito subjetivo e sabemos que não teremos grandes louros pelas vitórias. Entretanto, elas sempre existirão e você se sentirá gratificado por cada pessoa que conseguiu ajudar.

      Quanto ao trabalho em editora, digo que há várias formas de atuar. Uma delas, aproveitando sua experiência com informática, seria a de webdesigner e também uma espécie de relações públicas em redes sociais, atuando de forma que as editoras possam ter perfis para firmar a marca no segmento. Sugiro que você faça cursos ligados a design e também na área de editoração eletrônica, até mesmo na confecção de livros digitais. Há um vasto caminho a ser percorrido neste novo segmento do mercado editorial.

      Sempre que precisar basta entrar em contato. Terei o maior prazer em trocar ideias com você.

      Um grande abraço,

      Jorge Alberto.

    9. Everton Roberto
      06/10/2011 at 21:20

      Jorge, muito obrigado pela resposta!

      Engraçado que você leu meus pensamentos citando a confecção de livros digitais rs. Estou realmente pesquisando sobre a confecção de livros digitais e com certeza quero continuar a conversa. Segue um blog recente sobre este novo mercado, gostei bastante das informações dispostas ali, gostaria de compartilhar com você: http://www.pagelab.com.br/

      Abraços e obrigado novamente!

    10. 06/10/2011 at 22:21

      Então, Everton, este é o caminho! Como disse o Dorival Caymmi para o João Bosco, quando este foi consultá-lo sobre suas composições: “Basta apenas comprar uma capa de chuva”. :)

      Visitarei o blog. Obrigado pela indicação.

      Grande abraço,
      Jorge Alberto

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