• Autores devem usar o Twitter e o Facebook?

    by  • 08/01/2012 • Escritores, Livros, Mercado Editorial • 0 Comments

    Estranho era o proceder de muitos escritores e escritoras, a Síndrome de Greta Garbo. Não, não acabaram, quem diria, no Irajá. Muitos gostam de viver em suas tocas sem ter contato com os leitores.

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    Nos tempos modernos, em que nossas vidas são vasculhadas por bots e cookies das redes sociais em que nos cadastramos, muitos daqueles que vivem, ou tentam viver, do escrever livros estão saindo da toca. E há dois motivos específicos: a) interagir com os leitores para poder, assim, vender mais livros; b) Muitos dos escritores modernos não veem como grande problema a proximidade com o público.

    Mudança do perfil clássico do autor

    Qual, então, seria a melhor maneira de conseguir quebrar a barreira daquela ideia que começou a ser disseminada no século 19, no auge do romantismo, de que o autor é quase um ermitão. Ou, um ser que vive num mundo à parte? Segundo o ensaio “Why Authors Tweet”, de Anne Trubek, que saiu no New York Times Sunday Books Review: Twittar

    Desde o século 19, a concepção comum de "o autor" foi algo assim: Um jovem, em seu sótão, escreve furiosamente, amassando papéis e joga-os no chão, perdendo a noção do tempo, sem se importar com o público, obcecado com sua própria imaginação. Ele é distante, evasivo, um homem a quem você conhece apenas pela sua escrita e uma foto em seu livro.

    Engraçado, não? Seria mais ou menos como o sonho de todos aqueles que sonham com a fama. Querem atingi-la de todas as maneiras, mas quando estão nos píncaros da glória, sofrem de uma estranha aversão ao público. De toda forma, creio que esse afastamento entre autor e público é mais uma questão de personalidade, vide o caso de Rubem Fonseca. O aclamado escritor é a nossa maior “Greta Garbo”. Entrevistas, fotos e noites de autógrafos são tão raros quanto um diamante de 300 quilates. Por outro lado, autores iniciantes anseiam pelo reconhecimento e contato com o público leitor.

    Alguns escritores consagrados como Salman Rushdie praticamente adoram usar o Twitter, pois, de acordo com suas palavras “Permite ser lúdico e ter uma noção do que está na mente das pessoas.” Outros, como Jeffrey Eugenides, dizem gostar e procuram manter uma distância regulamentar informando a seus seguidores que não sabe quando voltará a twittar. Seria o caso de temer algum tipo de crítica, ou escrever uma palavra cometendo um erro crasso? Ou acreditam que autor e público não podem interagir além das noites de autógrafos?

    Twitter no além

    Se você, leitor, quiser entrar em contato com seus escritores preferidos, mesmo aqueles que já passaram pela Terra, pode encontrar seus endereços de Twitter no blog Livro Livre. Lá é possível encontrar Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Shakespeare, J.R.R. Tolkien, Leon Tolstoy e Clarice Lispector. Em outro blog, o Liter-ato, há twitters de autores estrangeiros que já morreram, mas parece que ainda tem muito a dizer.

    Encontre seu escritor no Twitter e Facebook

    Na página Mural dos Escritores (@MuralEscritores ) é possível contatar cerca de 800 escritores para twittar sem medo. Com um mesmo sentido a página Papo de Livro (@papodelivro/escritores), você pode também interagir com seus escritores preferidos.

    O Facebook, com cerca de 800 milhões de perfis e que recentemente teve no Brasil o maior crescimento em cadastramentos, algo em torno de 298%, está recheado de perfis e páginas de autores. Basta fazer uma busca para encontrá-los e pedir adição. O blog Lista Literárias selecionou os 10 escritores mais admirados nesta rede social. Todos são estrangeiros e Stephen King encabeça a lista, tendo mais de 1 milhão de “amigos”. Imagino como ele não deva ser cutucado.

    Essa rede social é tão interessante, que há casos como o do escritor espanhol Eloy Moreno ficou famoso ao lançar seu livro no Facebook. Assim como todos os escritores iniciantes, ele tentou apresentar seu livro a diversas editoras e recebeu recusa em todas elas, até que teve a ideia de divulgar e vender seu livro através de uma rede de boca-a-boca virtual. Deu certo! Aproveite para ler o artigo Facebook ajuda escritor novato, aqui no Recanto das Palavras.

    E você, o que está esperando?

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